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Category:Movies
Genre: Drama
O oficial aposentado Hank Deerfield (Tommy Lee Jones, de “Três Enterros de Melquiades Estrada”) recebe a notícia que seu filho Mike ainda não retornou da dispensa do exército, logo após um tempo guerreando no Iraque. Ao perceber que Mike está, na verdade, desaparecido, Deerfield deixa sua esposa (Susan Sarandon) em casa e viaja à procura do jovem garoto. No caminho, encontra a recém promovida a detetive Emily Sanders, interpretada pela sul-africana e vencedora do Oscar Charlize Theron. Emily não é exatamente uma boa investigadora, e por isso vive tratando dos casos mais simples, como violência doméstica e problemas com animais. Quando percebe que o problema pode envolver oficiais e soldados do exército e até seus companheiros de trabalho, ela decide ajudar o experiente Deerfield a fim de descobrir o verdadeiro motivo do desaparecimento.

Baseado em fatos verídicos, o roteiro é uma adaptação de uma reportagem publicada na “Playboy”, no ano de 2004. O artigo contava a história real desse soldado da Georgia desaparecido logo após um tempo de combate em Bagdá. Apesar da tentativa do exército de abafar o caso, o pai aposentado se recusou a acreditar na história contada pelas autoridades e decide investigar o caso, descobrindo a verdade que impressionou os americanos. O diretor e roteirista Paul Haggis toca mais uma vez numa ferida dos Estados Unidos: a presença de soldados americanos em terras iraquianas. Depois de emocionar o mundo com a teia de histórias em “Crash – No Limite”, apontando o preconceito ainda existente no mundo, Haggis conta novamente com seu talento como escritor. Único roteirista que escreveu dois ganhadores de Oscar consecutivamente (“Menina de Ouro” e o citado “Crash”), ele mostra o impacto que a guerra no Iraque causa nas famílias e amigos dos militares. Mas, principalmente, o que esse show de horrores que é a guerra reflete nas atitudes de seus próprios soldados. E essa loucura e desespero que, mesmo com o seu fim, ainda continuarão trazendo problemas para a sociedade.

O drama, com duas horas de duração, traz um ótimo elenco. Tommy Lee Jones pode facilmente ser indicado na próxima cerimônia do Oscar por sua atuação. Ele transforma Deerfield num homem forte, mas sensível quando necessário. Até é possível encontrar alguns momentos hilários – inevitável não lembrar da cena que conta a história para o filho da personagem de Charlize Theron dormir. Esta também, recentemente indicada ao Oscar por “Terra Fria”, surpreende como a policial sem muito talento que ajuda o pai Deerfield a descobrir o paradeiro do filho. Além dos citados, incluindo Sarandon – que aparece pouco – James Franco (da franquia “Homem-Aranha”), Jason Patrick do ótimo “Narc” e Josh Brolin como o chefe de polícia que atrapalha a investigação de Emily completam a lista.

O resultado final é positivo. Haggis alcança seu objetivo de abrir essa ferida para o mundo assistir. É possível, sim, uma indicação ao prêmio principal da Academia no próximo ano. A sua incrível habilidade como roteirista é percebida logo no início quando em apenas 4 minutos situa o expectador sem muitos diálogos ou cenas, e consegue prender o público até o fim. O diretor acerta também ao optar por não apontar culpados ou inocentes entre soldados, vítimas ou Iraque. Haggis não apresenta a solução, apenas mostra a realidade de um país mal governado e desesperado por ajuda. O final, quando usa a bandeira dos Estados Unidos para mostrar o que realmente este país precisa, pode desagradar alguns mais exigentes, mas isso não tira o mérito desse grande filme.

Fagner Franco


3 Comments
gixl wrote on Oct 25, '07
você é bom. e está cada dia melhor!

beijo tio.
shawood wrote on Oct 26, '07
Boa "explanação" a respeito do filme, gosto do jeito como seu texto vai ganhando ritmo conforme caminha pro fim.Aliás, falando em fim, o fim desse filme é muito bom; a cena da bandeira foi emblemática, extremamente simbólica, de impacto, não profundo( oh piada infame...),mas na medida certa!
fagnerfranco wrote on Oct 26, '07
valeu por comentarem, mocinhas (:D)

Sha, também achei muito louca a imagem, mas tenho certeza que aqueles crí-críticos de merda, vão dizer que foi exagero ou alguma coisa parecida - não que eu ligue a mínima pra isso...rs...
(gostei da piadinha tosca..haahaha)
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